A Questão Palestina é um dos conflitos mais longos e complexos do século XX e XXI, envolvendo disputas territoriais, religiosas e políticas entre israelenses e palestinos. Suas raízes estão no final do século XIX, com o surgimento do movimento sionista e a posterior criação do Estado de Israel. Desde então, a região do Oriente Médio tem sido palco de guerras, ocupações e tentativas frustradas de paz.

1. O Movimento Sionista (final do século XIX)

O sionismo foi um movimento político e nacionalista judaico criado no final do século XIX, liderado por Theodor Herzl. Seu objetivo era estabelecer um lar nacional para o povo judeu na região da Palestina, território considerado a “Terra Prometida” pela tradição bíblica.

O contexto europeu da época era marcado por forte antissemitismo (ódio e perseguição aos judeus), especialmente em países como a Rússia, a França e a Alemanha. Assim, o sionismo ganhou força entre os judeus que buscavam segurança e identidade nacional.

A partir de 1882, ondas de imigração judaica começaram a chegar à Palestina, que então fazia parte do Império Otomano. Essas migrações aumentaram significativamente após a Primeira Guerra Mundial, quando a Grã-Bretanha passou a controlar a região por meio do Mandato Britânico da Palestina (1920–1948).

Em 1917, o governo britânico publicou a Declaração Balfour, que apoiava a criação de um lar nacional judeu na Palestina. Esse apoio britânico fortaleceu o movimento sionista, mas também gerou revolta entre os árabes palestinos, que já viviam na região e temiam perder suas terras.

2. A criação do Estado de Israel (1948)

Após o Holocausto na Segunda Guerra Mundial, que resultou no assassinato de seis milhões de judeus, o sionismo ganhou forte apoio internacional. Em 1947, a ONU propôs a Partilha da Palestina em dois Estados:

  • Um Estado judeu (Israel);
  • Um Estado árabe-palestino;
  • E Jerusalém sob administração internacional.

Os judeus aceitaram o plano; os árabes o rejeitaram.

Em 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion declarou a independência do Estado de Israel. No dia seguinte, Egito, Síria, Jordânia, Líbano e Iraque atacaram Israel, dando início à Primeira Guerra Árabe-Israelense.

Israel venceu o conflito e ampliou seu território além do que havia sido previsto pela ONU. Centenas de milhares de palestinos foram expulsos ou fugiram, dando origem à chamada Nakba (“catástrofe”, em árabe). Esses refugiados se espalharam por países vizinhos, como Jordânia, Líbano e Síria, sem direito de retorno.

3. A Guerra dos Seis Dias (1967)

A Guerra dos Seis Dias foi um dos marcos da Questão Palestina. Em junho de 1967, tensões entre Israel e seus vizinhos árabes (Egito, Síria e Jordânia) levaram a um conflito rápido e devastador.

Temendo um ataque árabe, Israel lançou um ataque preventivo e conquistou:

  • A Cisjordânia (da Jordânia),
  • A Faixa de Gaza (do Egito),
  • As Colinas de Golã (da Síria),
  • E a Península do Sinai (do Egito),
  • Além de Jerusalém Oriental, região sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos.

Essa vitória transformou Israel em potência militar regional, mas também agravou o conflito, pois passou a ocupar territórios árabes e palestinos. A ONU aprovou a Resolução 242, exigindo a retirada de Israel dos territórios ocupados e o reconhecimento do direito de existência de todos os Estados da região — mas a resolução nunca foi cumprida integralmente.

4. A Guerra do Yom Kippur (1973) e a Crise do Petróleo

Em 6 de outubro de 1973, durante o Yom Kippur (dia mais sagrado do calendário judaico), Egito e Síria lançaram um ataque surpresa contra Israel, buscando recuperar os territórios perdidos em 1967.

No início, os árabes obtiveram avanços, mas Israel reagiu com apoio militar dos Estados Unidos, recuperando o controle. A guerra terminou com grande número de mortos e uma sensação de derrota moral para os países árabes.

Como resposta ao apoio ocidental a Israel, os países árabes produtores de petróleo, reunidos na OPEP, decidiram reduzir a produção e aumentar o preço do petróleo — provocando a Crise do Petróleo de 1973.

Essa crise teve impacto global, gerando recessão e inflação em vários países, e demonstrou o poder político do mundo árabe sobre a economia mundial.

5. A criação da OLP (Organização para a Libertação da Palestina)

Diante da perda de territórios e da crise dos refugiados, os palestinos decidiram organizar-se politicamente. Em 1964, foi criada a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), liderada por Yasser Arafat.

Seu objetivo era lutar pela libertação da Palestina e pela criação de um Estado palestino independente. Inicialmente, a OLP utilizou ações armadas e atentados contra Israel, o que fez com que fosse considerada uma organização terrorista por muitos países.

Com o tempo, especialmente após os Acordos de Oslo (1993), a OLP passou a adotar uma postura diplomática, sendo reconhecida internacionalmente como representante legítima do povo palestino.

6. O Hamas e o radicalismo islâmico

Nos anos 1980, com o enfraquecimento da OLP e a crescente frustração palestina, surgiu o Hamas — um grupo islâmico radical e nacionalista, fundado em 1987 durante a Primeira Intifada.

O Hamas combina atividade política e militar, defendendo a criação de um Estado palestino islâmico e não reconhecendo o direito de existência de Israel. É considerado um grupo terrorista por Israel, EUA e União Europeia, embora tenha amplo apoio popular em Gaza.

Desde 2007, o Hamas governa a Faixa de Gaza, após vencer eleições e romper com a Autoridade Nacional Palestina, que é controlada pela OLP/Fatah.

7. As Intifadas (revoltas palestinas)

Primeira Intifada (1987–1993)

Foi uma revolta popular dos palestinos contra a ocupação israelense da Cisjordânia e Gaza.
Caracterizou-se por manifestações, greves, boicotes e enfrentamentos com o exército israelense.
A repressão foi violenta, resultando em milhares de mortos e feridos.
Essa revolta levou à abertura de negociações e à assinatura dos Acordos de Oslo (1993), nos quais se reconheceu a criação da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Segunda Intifada (2000–2005)

Explodiu após a visita de Ariel Sharon (líder israelense) à Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, local sagrado para os muçulmanos.
Foi muito mais violenta que a primeira, com atentados suicidas, ataques israelenses e destruição de cidades palestinas.
Como resposta, Israel construiu o Muro de Separação na Cisjordânia, alegando segurança, mas criticado pela ONU como forma de anexação territorial.

8. Considerações finais

A Questão Palestina permanece sem solução.
Israel controla a maior parte do território e continua a expandir assentamentos judaicos ilegais na Cisjordânia.
Os palestinos, divididos entre a Autoridade Palestina (na Cisjordânia) e o Hamas (em Gaza), enfrentam bloqueios, pobreza e ausência de soberania.

Os temas centrais do conflito — fronteiras, Jerusalém, refugiados e segurança — continuam sem consenso.
A comunidade internacional ainda busca uma solução de dois Estados, mas a falta de confiança mútua, o radicalismo e a interferência de potências externas tornam a paz distante.


VAMOS EXERCITAR

1. O movimento sionista surgiu no final do século XIX com o objetivo de:

a) Promover a união dos países árabes contra o imperialismo europeu.

b) Criar um Estado palestino independente no Oriente Médio.

c) Fundar um lar nacional para o povo judeu na região da Palestina.

d) Impedir a colonização britânica no Oriente Médio.

e) Combater a expansão do islamismo na Europa.

2. Assinale V para verdadeiro e F para falso:

(aa) O movimento sionista foi liderado por Theodor Herzl.

(aa) O antissemitismo europeu foi um dos fatores que estimularam o sionismo.

(aa) A Declaração Balfour (1917) foi um documento de apoio árabe à criação de um Estado palestino.

(aa) A Palestina era controlada pela França durante o Mandato após a Primeira Guerra Mundial.

 

3. Associe corretamente as guerras com suas características:

 

  1. Guerra dos Seis Dias (1967)
  2. Guerra do Yom Kippur (1973)
  3. Primeira Guerra Árabe-Israelense (1948)

 

(aa) Ocorreu logo após a criação de Israel; resultou em vitória israelense e êxodo palestino.

(aa) Foi uma guerra curta, na qual Israel conquistou a Cisjordânia, Gaza, Golã e o Sinai.

(aa) Iniciada em um feriado religioso judaico; Egito e Síria tentaram recuperar territórios perdidos.

 

4. A Crise do Petróleo de 1973 foi consequência direta de:

a) A derrota dos países árabes na Guerra dos Seis Dias.

b) O boicote árabe aos Estados Unidos e aliados ocidentais após a Guerra do Yom Kippur.

c) A nacionalização do petróleo iraniano pelo Xá Reza Pahlavi.

d) A independência política dos países árabes em relação à ONU.

e) O embargo econômico imposto por Israel aos países árabes.

 

5. Explique por que a Resolução 242 da ONU (1967) se tornou um ponto central e controverso na Questão Palestina.

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6. O Hamas, criado em 1987, é conhecido por:

a) Ser uma vertente diplomática da OLP que busca o reconhecimento de Israel.

b) Defender um Estado palestino laico e pacífico, com sede em Ramallah.

c) Ser um grupo islâmico radical que governa a Faixa de Gaza e não reconhece Israel.

d) Representar oficialmente a Autoridade Nacional Palestina em Jerusalém.

e) Ser o principal grupo árabe defensor da ONU e dos Acordos de Oslo.

7. Explique por que a Questão Palestina é considerada um dos conflitos mais difíceis de resolver no mundo contemporâneo. Em sua resposta, destaque pelo menos dois fatores políticos e dois fatores religiosos ou territoriais que dificultam a paz na região.


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