As descobertas científicas e a expansão marítima
As Grandes Navegações (ou Expansão Marítima Europeia) foram um conjunto de viagens realizadas, principalmente, por Portugal e Espanha entre os séculos XV e XVI, que resultaram na descoberta de novas rotas marítimas, territórios e povos, mudando profundamente a história mundial. Elas marcaram a transição da Idade Média para a Idade Moderna e abriram caminho para a formação do sistema colonial e da economia global.
Contexto
histórico
- Crise do século
XIV: a Europa passava por dificuldades econômicas, fome, peste negra e
guerras. Era preciso buscar novas formas de enriquecer.
- Fechamento das
rotas terrestres para o Oriente: com a tomada de Constantinopla pelos
turco-otomanos em 1453, a principal ligação comercial entre Europa e Ásia
foi interrompida. Isso fez os europeus buscarem rotas alternativas pelo
mar.
- Aumento do
consumo de especiarias e produtos de luxo: como pimenta,
canela, seda e pedras preciosas, vindos da Ásia.
- Avanços
científicos e técnicos: como a bússola, o astrolábio, o aperfeiçoamento
das cartas de navegação e a invenção da caravela, que facilitavam longas
viagens marítimas.
- Centralização do
poder monárquico: reis de Portugal e Espanha investiam nas
expedições para aumentar riquezas e prestígio.
- Mentalidade renascentista e religiosa: o espírito de curiosidade e aventura, além do desejo de expandir o cristianismo, impulsionavam os navegadores.
O
papel dos pioneiros
- Portugal foi o primeiro a
investir de forma organizada nas navegações.
- Com o Infante
D. Henrique (1394-1460), chamado “Navegador”, os portugueses
exploraram a costa da África, buscando ouro, escravos e uma rota para as
Índias.
- Em 1488,
Bartolomeu Dias chegou ao extremo sul da África, o Cabo da Boa
Esperança.
- Em 1498,
Vasco da Gama alcançou a Índia, abrindo a rota do Oriente pelo mar.
- Em 1500,
Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil durante uma expedição à Índia.
- Espanha entrou depois,
mas também foi decisiva:
- Em 1492,
Cristóvão Colombo chegou à América, acreditando ter alcançado a Ásia.
- Em 1519-1522, a expedição de Fernão de Magalhães (completada por Juan Sebastián Elcano após a morte de Magalhães) realizou a primeira volta ao mundo, provando que a Terra era esférica.
As descobertas científicas
e técnicas
A expansão marítima só foi
possível graças a avanços científicos e tecnológicos que permitiram
maior segurança nas longas viagens. Entre os principais:
- Astrolábio e quadrante → instrumentos que permitiam medir a
posição dos astros e calcular a latitude.
- Bússola magnética → indicava a direção, essencial para
navegação em alto-mar.
- Cartografia aprimorada → mapas mais detalhados, como o portulano,
baseados em observações práticas dos marinheiros.
- Caravela e nau → embarcações mais leves, rápidas e
manobráveis, com velas triangulares (latinas) que aproveitavam melhor os
ventos.
- Conhecimentos árabes e orientais → transmitidos para a Europa, como técnicas náuticas e matemática aplicada à navegação.
Essas inovações garantiram que as viagens não ficassem restritas à costa, mas avançassem mar adentro, ampliando os horizontes geográficos.
Navegações no Atlântico
O oceano Atlântico foi
o grande palco inicial das explorações.
Portugal
- A partir do século XV, com o Infante
D. Henrique, os portugueses começaram a explorar a costa africana.
- Buscavam ouro, especiarias e
escravizados, além de rotas alternativas para chegar ao Oriente.
- Chegaram ao Cabo da Boa Esperança
(Bartolomeu Dias, 1488) e, depois, à Índia (Vasco da Gama, 1498).
- Portugal consolidou um império
marítimo baseado em feitorias e controle de pontos estratégicos.
Espanha
- Em 1492, Cristóvão Colombo
tentou alcançar as Índias navegando para o oeste, mas encontrou a América.
- A Espanha passou a disputar
territórios no Atlântico, organizando expedições como as de Hernán
Cortés (México) e Francisco Pizarro (Peru).
- O Tratado de Tordesilhas (1494)
dividiu o Atlântico entre Portugal e Espanha, fortalecendo ainda mais a
importância desse oceano como espaço de disputas.
Características do
Atlântico
- Oceano mais estreito que o Pacífico.
- Ventos e correntes favoráveis (como os
alísios e a corrente do Golfo) ajudavam a travessia.
- Tornou-se a principal rota de ligação entre Europa, África e América, originando o sistema colonial.
Navegações no Pacífico
O oceano Pacífico
entrou em cena um pouco mais tarde, mas com grandes desafios.
- O primeiro europeu a atravessá-lo foi Fernão
de Magalhães, a serviço da Espanha, em 1519-1522. Sua expedição foi a primeira
circum-navegação da Terra, confirmando na prática a teoria da
esfericidade do planeta.
- O Pacífico recebeu esse nome (“mar
pacífico”) porque Magalhães encontrou águas tranquilas em parte da viagem.
- No entanto, era um oceano muito
mais amplo que o Atlântico, com extensas áreas sem ilhas de apoio para
abastecimento. Isso tornava a navegação extremamente perigosa.
- Após a conquista da América espanhola,
os espanhóis criaram a rota entre Acapulco (México) e Manila
(Filipinas), estabelecendo conexões comerciais entre a América, a Ásia
e a Europa (via Atlântico).
Características do
Pacífico
- Maior oceano do mundo, com travessias
muito mais longas.
- Menos conhecido e cartografado que o
Atlântico no século XVI.
- Apesar dos perigos, tornou-se uma via essencial para integrar os impérios coloniais espanhóis na América e na Ásia.
Comparação entre Atlântico
e Pacífico
|
Aspecto |
Atlântico |
Pacífico |
|
Início da exploração |
Século XV (portugueses e
espanhóis) |
Início do século XVI
(Magalhães, 1519-1522) |
|
Extensão |
Mais estreito, facilitando
travessias |
Muito mais amplo,
dificultando navegação |
|
Rotas principais |
Europa ↔ África ↔ América ↔
Ásia (via Cabo da Boa Esperança) |
América (México, Peru) ↔
Filipinas ↔ Ásia |
|
Importância estratégica |
Centro do sistema colonial
e do comércio europeu |
Complementar ao Atlântico,
ligando América à Ásia |
|
Conquistas |
Formação dos impérios
português e espanhol no Atlântico |
Expansão espanhola para o
Pacífico e início da globalização comercial |
Consequências históricas
- O Atlântico tornou-se o coração da
economia mundial entre os séculos XVI e XVIII, por causa do comércio
triangular (Europa–África–América).
- O Pacífico ampliou a escala da
globalização, conectando três continentes de maneira inédita.
- Ambos os oceanos consolidaram o domínio
europeu sobre rotas marítimas, fortalecendo o capitalismo comercial e
a colonização.
- Essas navegações deram início à
chamada Era dos Descobrimentos, que transformou o mapa do mundo e
marcou o nascimento da modernidade.
EXERCÍCIO
1. O
fechamento da principal rota terrestre que ligava a Europa ao Oriente, após a
conquista de Constantinopla em 1453, levou os europeus a buscarem caminhos
alternativos pelo mar. Esse episódio está relacionado:
a) À expansão do Império
Bizantino.
b) Ao fortalecimento dos
reinos germânicos.
c) Ao domínio dos
turcos-otomanos.
d) À queda do Império
Romano do Ocidente.
e) À criação do feudalismo europeu.
2. Sobre
o contexto das Grandes Navegações, marque V (verdadeiro) ou F (falso):
(aa) O astrolábio, a
bússola e as caravelas foram invenções exclusivamente europeias.
(aa) A centralização do
poder monárquico favoreceu os investimentos nas expedições marítimas.
(aa) O aumento da demanda
por especiarias foi um dos fatores que impulsionaram a expansão marítima.
(aa) O Renascimento contribuiu para o espírito de curiosidade e aventura.
3. Leia o trecho abaixo:
"Em 1519, uma frota espanhola partiu em busca de uma rota para alcançar as Índias pelo oeste. A viagem foi marcada por fome, mortes e dificuldades extremas, mas resultou em uma façanha inédita na história: a primeira volta ao mundo."
O
texto refere-se à expedição liderada por:
a) Vasco da Gama.
b) Pedro Álvares Cabral.
c) Bartolomeu Dias.
d) Cristóvão Colombo.
e) Fernão de Magalhães.
4. Explique,
em poucas linhas, por que Portugal foi o pioneiro nas Grandes Navegações.
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5. Aponte
e explique uma causa e uma consequência direta das Grandes Navegações.
