As Revoluções Inglesas do século XVII
As chamadas Revoluções Inglesas referem-se a um conjunto de transformações políticas, sociais e econômicas ocorridas na Inglaterra entre os séculos XVII e XVIII. Esse período foi marcado por conflitos entre a monarquia e o Parlamento, pela afirmação de novos valores políticos e econômicos, e pelo surgimento de um modelo de governo que influenciaria outras nações: a monarquia parlamentar.
Historicamente, o termo engloba três momentos principais:
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A Revolução Puritana (ou Guerra Civil Inglesa) – 1642-1649
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A Restauração e a Revolução Gloriosa – 1660-1689
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A consolidação da monarquia parlamentar no início do século XVIII
1. Contexto histórico
Desde o final da Idade Média, a Inglaterra vivia mudanças significativas:
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Expansão marítima e comercial, fortalecendo uma burguesia ligada ao comércio e à manufatura;
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Crescimento do protestantismo, especialmente o puritanismo, que defendia uma vida moral austera e a simplificação do culto religioso;
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Conflitos entre o poder absoluto da monarquia e as aspirações políticas do Parlamento.
Os reis da dinastia Stuart — Jaime I e Carlos I — acreditavam no direito divino dos monarcas, defendendo que seu poder vinha diretamente de Deus e não deveria ser limitado por leis humanas. Isso gerava choques com o Parlamento, que reivindicava participação nas decisões, especialmente na cobrança de impostos.
2. A Revolução Puritana (1642-1649)
Causas
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Oposição do Parlamento às políticas absolutistas de Carlos I;
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Conflitos religiosos entre anglicanos (ligados à monarquia) e puritanos;
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Tentativas do rei de governar sem convocar o Parlamento, arrecadando impostos arbitrariamente.
O conflito
A guerra civil estourou em 1642, dividindo o país entre:
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Cavaleiros (Royalists): partidários do rei, nobres e anglicanos;
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Cabeças-redondas (Roundheads): puritanos, pequenos proprietários e burgueses, liderados por Oliver Cromwell.
Com o exército disciplinado e motivado de Cromwell, os Roundheads venceram e, em 1649, Carlos I foi julgado e executado — fato inédito na Europa contra um monarca.
O governo republicano
Após a execução do rei, foi proclamada a Commonwealth (1649-1653), seguida pelo Protetorado de Cromwell (1653-1658), um governo de caráter militar e puritano. Apesar de abolir a monarquia e a Câmara dos Lordes, Cromwell governou de forma autoritária, reprimindo revoltas e controlando a vida religiosa e moral da população.
3. A Restauração e a Revolução Gloriosa
A Restauração (1660)
Após a morte de Cromwell e a crise política subsequente, o Parlamento restaurou a monarquia, coroando Carlos II. Esse período marcou uma tentativa de conciliar interesses, mas as tensões persistiram, principalmente com seu sucessor, Jaime II, que buscava restaurar o catolicismo e reforçar o absolutismo.
A Revolução Gloriosa (1688)
O Parlamento, temendo o retorno ao absolutismo, convidou Maria II e seu marido Guilherme de Orange (protestantes) a assumir o trono, desde que aceitassem o Bill of Rights (1689). Essa transição ocorreu sem grandes conflitos armados — daí o nome “gloriosa” — e estabeleceu:
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Supremacia do Parlamento sobre o monarca;
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Garantia de direitos civis e políticos;
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Limitação do poder real, consolidando a monarquia parlamentar.
4. Consequências e legado
As Revoluções Inglesas tiveram impactos profundos:
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Políticos: fim do absolutismo e consolidação do sistema parlamentarista;
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Religiosos: fortalecimento do protestantismo e maior tolerância a diferentes vertentes dentro dele;
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Econômicos: ampliação das condições para o desenvolvimento do capitalismo industrial, favorecendo a burguesia;
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Intelectuais: inspiração para filósofos como John Locke, cujas ideias sobre governo limitado e direitos naturais influenciaram a Revolução Americana e a Revolução Francesa.
5. Síntese
As Revoluções Inglesas representam um marco na história política moderna, mostrando que o poder real podia ser limitado pela lei e pela vontade popular representada no Parlamento. Mais do que um conflito inglês, elas abriram caminho para a consolidação de valores como a liberdade política, a propriedade privada e o direito à participação nas decisões de governo.
EXERCÍCIO
1. Um dos fatores que
levaram à Revolução Puritana (1642-1649) foi:
A) A adoção do catolicismo como religião
oficial pelo Parlamento.
B) A tentativa de Carlos I de governar sem
convocar o Parlamento e impor impostos arbitrários.
C) A imposição do socialismo como sistema
econômico.
D) O enfraquecimento do protestantismo na
Inglaterra.
E) A recusa dos puritanos em participar do comércio marítimo.
2. Sobre as revoluções
inglesas, é correto afirmar que Cromwell:
A) Governou a Inglaterra como monarca
absoluto após a Revolução Gloriosa.
B) Liderou os Cabeças-redondas contra os
Cavaleiros e estabeleceu um governo militar puritano.
C) Foi coroado rei após a Restauração de
1660.
D) Implantou o catolicismo como religião
oficial.
E) Rejeitou qualquer participação da burguesia na política.
3. A Revolução Gloriosa resultou na ascensão ao trono de _______________ e _________________, sob a condição de aceitarem o _________________, que limitava o poder real e reforçava a supremacia do Parlamento.
A) Jaime II – Maria II – Habeas Corpus Act
B) Guilherme de Orange – Maria II – Bill of
Rights
C) Carlos II – Oliver Cromwell – Magna
Carta
D) Guilherme de Orange – Jaime I – Petition
of Right
E) Maria I – Guilherme de Orange – Act of Union
4. O Bill of Rights (1689)
é considerado um marco porque:
A) Transformou a Inglaterra em uma
república presidencialista.
B) Estabeleceu a supremacia do Parlamento e
garantiu direitos civis e políticos.
C) Eliminou o Parlamento e reforçou o poder
absoluto do monarca.
D) Proibiu completamente a prática do
protestantismo.
E) Substituiu o sistema de governo pelo absolutismo centralizado.
5. Associe o período à sua característica principal:
Coluna A
- Revolução Puritana
- Restauração
- Revolução Gloriosa
Coluna B
(aa) Retorno da monarquia com Carlos II.
(aa) Deposição de Jaime II sem grandes conflitos.
(aa) Execução de Carlos I e proclamação da Commonwealth.
Sequência correta:
