A Revolução Francesa

 Como era a França antes da Revolução?

No final do século XVIII (anos 1700), a França era governada pelo rei Luís XVI e pela rainha Maria Antonieta. O rei tinha poder total – ele mandava em tudo e ninguém podia desobedecer.

A França era muito rica e conhecida por suas festas e cultura, mas a maioria das pessoas vivia mal, com fome e sem direitos.

A sociedade francesa era dividida em três grupos:

  1. Primeiro Estado: O clero (padres e bispos da Igreja Católica). Eles tinham muito dinheiro e não pagavam impostos.

  2. Segundo Estado: A nobreza (reis, príncipes, duques). Também eram ricos e cheios de privilégios.

  3. Terceiro Estado: O resto da população (camponeses, trabalhadores, burgueses). Eles eram 98% da França e pagavam todos os impostos. Muitos eram pobres e passavam fome.

Por que a revolução começou?

  • Absolutismo de Luís XVI: o rei concentrava todo o poder e não havia participação popular nas decisões.
  • Crise de legitimidade da monarquia: a nobreza e o clero mantinham privilégios, enquanto a maioria do povo não tinha voz.
  • Inspiração em outros movimentos: a Independência dos EUA (1776) mostrou que era possível enfrentar um governo considerado injusto.
  • Desigualdade social extrema: a maioria sustentava uma minoria privilegiada.
  • Crise financeira do Estado: gastos exagerados da corte e guerras (como a Guerra de Independência dos EUA, financiada pela França).
  • Fome e miséria: más colheitas, aumento no preço do pão, principal alimento da população.
  • Pesados impostos sobre o Terceiro Estado: sufocavam camponeses e trabalhadores.
  • Iluminismo: ideias de liberdade, igualdade e fraternidade circulavam pela Europa.
  • Crítica ao absolutismo e ao privilégio de nascimento: filósofos como Rousseau, Montesquieu e Voltaire influenciaram o questionamento do sistema.
  • Valorização dos direitos naturais do homem: difundida em panfletos, salões e academias.
Por que Luís XVI convocou a Assembleia dos Estados Gerais (1789)
O que foi a Assembleia dos Estados Gerais?

Luís XVI convocou os Estados Gerais porque o Estado francês estava em crise financeira grave (dívida alta e tesouro esgotado) e as tentativas de reforma fiscal tinham sido bloqueadas pelas elites (parlamentos, notáveis, nobreza e clero). O rei buscava legitimar novos impostos e reformas pedindo o parecer (ou aprovação) dos três “estados” do reino — mas essa solução era arriscada e imprevisível. 

Foi uma reunião que o rei fez em 1789 com representantes dos três grupos sociais para discutir a crise. Mas o Terceiro Estado percebeu que não teria voz nas decisões, porque cada grupo só tinha um voto. E o clero e a nobreza sempre votavam juntos.

Revoltados, os representantes do Terceiro Estado saíram da reunião e criaram a Assembleia Nacional, para mudar as leis da França.

A Queda da Bastilha

Em 14 de julho de 1789, o povo invadiu a Bastilha, uma prisão onde o rei colocava quem era contra ele. Isso virou o símbolo da Revolução Francesa, pois mostrava a força do povo contra o rei.

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão

Depois disso, os deputados criaram um documento que dizia que:

  • Todos os cidadãos são iguais.

  • O povo tem liberdade de expressão e de religião.

  • O governo deve existir para o bem de todos.

Foi o fim dos privilégios do clero e da nobreza.

A República e o fim do rei

O rei tentou fugir da França, mas foi pego e preso. Em 1792, a França virou uma república (sem rei), e em 1793, o rei e a rainha foram mortos na guilhotina.


O Período do Terror (1793-1794)

Nesse tempo, os jacobinos, grupo radical que defendia o povo, assumiu o poder. Quem era contra a revolução era preso ou morto. Muitos morreram na guilhotina, inclusive os próprios líderes dos jacobinos.

Fase do Terror (principalmente setembro de 1793 — julho de 1794) foi o período da Revolução Francesa em que o governo revolucionário aplicou repressão sistemática, prisões e execuções em massa contra supostos “inimigos da revolução”, com o objetivo declarado de defender a República e esmagar a contrarrevolução. Terminou com a queda e execução de Maximilien de Robespierre (27 de julho de 1794 — 9 Thermidor, ano II), no chamado Termidor.

A Reação Termidoriana

Depois do fim dos jacobinos, outro grupo, os girondinos (representantes da burguesia rica), assumiu o controle. Eles acabaram com muitas leis populares e criaram uma nova constituição que tirava direitos dos mais pobres.

O Diretório

Depois da queda de Robespierre (Termidor, 1794) a Convenção buscou estabilizar a França e afastar o extremismo jacobino. A Constituição de 1795 tentou criar um equilíbrio: limpar o país das polaridades violentas (jacobinos x realistas) e criar um poder executivo colegiado que evitasse a tirania de um único homem. A transição, contudo, começou em clima de tensão — houve uma tentativa de reação realista que terminou em repressão em Paris (outubro de 1795), e a Convenção adicionou medidas (como a chamada “decreto dos dois terços”) para controlar a composição do novo parlamento.

Um colégio de 5 Diretores (o Diretório) que detinha o poder executivo colegiado. Eles eram escolhidos pelos órgãos legislativos e tinham mandatos escalonados para garantir continuidade.

Logo no início do regime o jovem general Napoleão entrou em cena: recebeu o comando para sufocar uma insurreição realista em Paris (13 Vendémiaire, 5 de outubro de 1795). Ao usar artilharia nas ruas contra os manifestantes ele garantiu a sobrevivência da nova Constituição e do próprio Diretório — e, ao mesmo tempo, ganhou visibilidade e o apreço de figuras do novo governo (entre elas Paul Barras). Esse episódio foi decisivo para transformá-lo de um oficial talentoso em um instrumento político de primeira ordem.

A chegada de Napoleão Bonaparte

Em 1799, o general Napoleão Bonaparte deu um golpe de Estado e acabou com o governo da Revolução. Assim, a Revolução Francesa chegou ao fim.

O governo de Napoleão

Napoleão governou de 1799 a 1814. Ele:

  • Criou escolas públicas.

  • Melhorou a economia.

  • Criou o Código Napoleônico, que dizia que todos eram iguais perante a lei (mas os trabalhadores não podiam fazer greves).

Depois, virou imperador da França e começou a conquistar outros países da Europa.

O fim de Napoleão

Napoleão foi derrotado em 1814. Os países europeus fizeram o Congresso de Viena para colocar as coisas de volta como eram antes da revolução.


EXERCÍCIO

1. Marque (V) para verdadeiro e (F) para falso:

(aa) A nobreza e o clero tinham privilégios e não pagavam impostos.

(aa) O Terceiro Estado representava a minoria da população francesa.

(aa) O povo francês passava fome enquanto a corte gastava em festas e luxos.

(aa) O rei Luís XVI dividia o poder com um parlamento eleito pelo povo.

2. Explique os motivos pelos quais o rei Luís XVI convocou a Assembleia Nacional em 1789?

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3. Um dos principais motivos para a Revolução Francesa foi:

a) A vitória da França em todas as guerras.

b) A abundância de alimentos e a redução do preço do pão.

c) A insatisfação do povo com a fome, os altos impostos e os privilégios da nobreza e do clero.

d) A decisão do rei de abolir os impostos para o Terceiro Estado.

4. Associe corretamente:

  1. Primeiro Estado
  2. Segundo Estado
  3. Terceiro Estado

(aa) Nobreza
(aa) Clero
(aa) Camponeses, trabalhadores e burgueses

5. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão defendia princípios revolucionários. Qual dos itens abaixo NÃO faz parte desse documento?

a) Liberdade de expressão e de religião.

b) Igualdade de todos os cidadãos perante a lei.

c) Manutenção dos privilégios do clero e da nobreza.

d) O governo deveria existir para o bem de todos.

6. Durante o chamado "Período do Terror" (1793–1794):

a) Os jacobinos prenderam e executaram opositores da Revolução.

b) A nobreza retomou o poder político.

c) O rei Luís XVI voltou a governar com poder absoluto.

d) A França foi governada pela Igreja Católica.


ASSISTA AO VÍDEO ABAIXO:


AGORA VAMOS EXERCITAR!

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