A Primeira República

A elite agrária e a Política dos Governadores

O primeiro presidente eleito pelo povo no Brasil foi Prudente de Morais (1894-1898). Ele era advogado e governador de São Paulo. Sua eleição marcou a passagem do poder dos militares para os fazendeiros ricos, chamados oligarquia rural.
Oligarquia é quando um pequeno grupo manda no país pensando mais em si mesmo do que no povo.

No governo seguinte, Campos Sales (1898-1902) criou a Política dos Governadores. Nesse acordo, o presidente e os governadores se ajudavam: os governadores apoiavam o presidente no Congresso e, em troca, podiam mandar em seus estados sem interferência.

Outro acordo foi a Política do Café com Leite: São Paulo (produtor de café) e Minas Gerais (produtor de leite) se revezavam na presidência para manter o poder.

O coronelismo

No interior, quem mandava eram os coronéis, grandes donos de terras. Eles ajudavam as pessoas com empregos, comida ou remédios e, em troca, pediam votos. Esse sistema era chamado de clientelismo.

Os coronéis controlavam prefeitos, juízes, delegados e até médicos. Quem desobedecia podia sofrer violência. As eleições eram cheias de fraudes: votos comprados, pessoas mortas "votando" e cédulas trocadas. Isso era chamado de voto de cabresto, porque controlava o eleitor como um animal preso pelo cabresto.

O Convênio de Taubaté (1906)

Com a superprodução de café, o preço caiu. Os governadores de SP, MG e RJ fizeram um acordo para o governo comprar o café extra e guardar, vendendo depois para manter o preço alto.

 Chegada dos imigrantes

Entre 1871 e 1920, vieram cerca de 3,4 milhões de imigrantes para o Brasil, principalmente italianos, portugueses e espanhóis. No Sul, muitos ganharam terras para plantar, mas enfrentaram dificuldades, ataques de animais e conflitos com indígenas. No Sudeste, muitos foram para as fazendas de café e acabaram presos em dívidas com os fazendeiros, num sistema chamado escravidão por dívida.

Industrialização e vida dos operários

Com o dinheiro do café, começaram a surgir indústrias no início do século XX, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Mas os trabalhadores ganhavam pouco, trabalhavam até 16 horas por dia e não tinham direitos. Crianças e mulheres recebiam menos que os homens. Muitos moravam em cortiços ou em áreas pobres.

As más condições levaram a greves e manifestações. Surgiram sindicatos influenciados por ideias anarquistas e socialistas.

Reurbanização e exclusão

Cidades como Rio de Janeiro, Recife e Salvador passaram por reformas: ruas iluminadas, prédios públicos e demolição de cortiços. No Rio, a política do Bota-abaixo expulsou moradores pobres para os morros, surgindo as primeiras favelas.

Revolta da Vacina (1904)

No começo do século XX, o Rio de Janeiro tinha muitos problemas de higiene e doenças como febre amarela, peste bubônica e varíola. O governo fez uma reforma na cidade e colocou o médico Oswaldo Cruz para combater as epidemias.
Uma das medidas foi tornar a vacinação contra a varíola obrigatória. Como as pessoas não estavam acostumadas e havia boatos de que a vacina fazia mal, muita gente se recusou.
O governo decidiu que quem não aceitasse seria vacinado à força, entrando até nas casas. Isso gerou revolta popular, com protestos, quebra-quebra, tiroteios e enfrentamento com a polícia. No fim, 23 pessoas morreram, centenas ficaram feridas e cerca de 900 foram presas. O governo suspendeu a vacinação obrigatória naquele momento.

Guerra de Canudos (1896-1897)

O líder religioso Antônio Conselheiro reunia pessoas pobres, sem terras e ex-escravizados no interior da Bahia. Eles fundaram o povoado de Canudos, onde viviam de forma simples e sem pagar impostos.
Os fazendeiros e autoridades locais acharam que esse grupo era uma ameaça e convenceram o governo a agir.
O Exército atacou Canudos quatro vezes. Nas três primeiras, foi derrotado pelos moradores. Na quarta, veio com mais de 8 mil soldados, destruiu tudo e matou cerca de 30 mil pessoas, inclusive mulheres e crianças.

Guerra do Contestado (1912-1916)

O governo deu terras no Paraná e Santa Catarina para uma empresa dos Estados Unidos construir uma estrada de ferro. Muitos moradores foram expulsos sem receber nada.
Desempregados e sem terras, eles se juntaram ao beato José Maria, líder religioso que pregava justiça social. Depois que José Maria foi morto, o movimento continuou.
O Exército atacou com armas modernas e matou mais de 20 mil camponeses, enquanto os rebeldes tinham apenas foices, facões e poucas armas.

Cangaço
No Nordeste, havia grupos armados chamados cangaceiros. Eles assaltavam fazendeiros, cobravam dinheiro das cidades e às vezes ajudavam pessoas pobres.
O mais famoso foi Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), conhecido como “Rei do Cangaço”. Andava com seu bando por vários estados do Nordeste entre as décadas de 1920 e 1930.

Padre Cícero

Religioso muito respeitado no Ceará, Padre Cícero Romão Batista ficou famoso por ajudar os pobres, especialmente em tempos de seca.
Muitos acreditavam que ele fazia milagres. Sua cidade, Juazeiro do Norte, virou um centro de romarias, recebendo milhares de fiéis.
Ele também foi político e prefeito da cidade, tendo grande influência na região.

Revolta da Chibata (1910)

Na Marinha, marinheiros recebiam castigos físicos, como chibatadas, por erros ou desobediência.
O marinheiro João Cândido liderou mais de 2 mil colegas que se revoltaram, apontando os canhões dos navios para o Rio de Janeiro.
Eles exigiram o fim das chibatadas e melhores condições de trabalho. O governo prometeu atender, mas, depois que a revolta acabou, prendeu os líderes e muitos foram mortos.

Semana de Arte Moderna (1922)

Foi um evento no Teatro Municipal de São Paulo, em fevereiro de 1922, com apresentações de música, pintura, poesia e teatro.

Participaram artistas como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Heitor Villa-Lobos.

Eles queriam criar uma arte mais brasileira, diferente do estilo europeu tradicional, usando temas do povo, da natureza e da cultura nacional.


EXERCÍCIO

1. O primeiro presidente eleito pelo voto direto no Brasil foi:
a) Marechal Deodoro da Fonseca
b) Floriano Peixoto
c) Prudente de Morais
d) Campos Sales
e) Rodrigues Alves

2. Marque V (verdadeiro) ou F (falso):

(aa) A Política dos Governadores foi criada por Campos Sales para garantir apoio no Congresso.

(aa) A Política do Café com Leite consistia no revezamento entre São Paulo e Minas Gerais no poder.

(aa) O coronelismo fortalecia a participação popular nas eleições.

(aa) O voto de cabresto era uma forma de fraude eleitoral.

3. Explique, em poucas palavras, como funcionava o coronelismo e qual era a relação entre os coronéis e os eleitores.

___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________

4. Relacione os termos da coluna A com suas descrições na coluna B:

Coluna A

  1. Política do Café com Leite
  2. Coronelismo
  3. Voto de cabresto
  4. Convênio de Taubaté

Coluna B
(aa) Fraude eleitoral que controlava eleitores.
(aa) Revezamento entre São Paulo e Minas Gerais na presidência.
(aa) Sistema de poder dos grandes fazendeiros locais.
(aa) Acordo para valorizar o café no mercado.

5. Na sua opinião, por que a chamada Política do Café com Leite limitava a democracia no Brasil durante a Primeira República?

___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________


👉 QUANDO CONCLUIR, FAÇA UM PRINT DO RESULTADO E MANDE AO PROFESSOR!

Postagens mais visitadas deste blog

A questão do tempo, sincronias e diacronias: reflexões sobre o sentido das cronologias

Saberes dos povos africanos e pré-colombianos expressos na cultura material e imaterial

Experiências republicanas e práticas autoritárias: as tensões e disputas do mundo contemporâneo