A ideia de “novo mundo” ante o mundo antigo: permanências e rupturas de saberes e práticas na emergência do mundo moderno
Entre os séculos XV e XVII, o mundo vivenciou profundas transformações que marcaram a transição da Idade Média para a Idade Moderna. Esse período, conhecido como a emergência do mundo moderno, foi caracterizado por novas formas de pensar, produzir e organizar a vida social, mas também pela permanência de saberes e práticas herdados do passado. A ideia de um “novo mundo” não se refere apenas à descoberta geográfica das Américas, mas também ao surgimento de novas mentalidades que passaram a redefinir a relação do homem com a natureza, a sociedade, o conhecimento e o próprio sentido da história.
A herança do mundo antigo e medieval
Apesar das mudanças, muitos elementos do passado permaneceram vivos. A filosofia greco-romana, preservada e reinterpretada durante a Idade Média, continuou a influenciar a ciência, a política e a arte. O pensamento aristotélico, por exemplo, ainda orientava explicações sobre a natureza, mesmo diante de novas descobertas científicas. A organização política baseada em monarquias centralizadas, com raízes medievais, manteve-se como estrutura dominante em muitos países europeus, embora adaptada às necessidades do Estado moderno.
A Igreja Católica ainda desempenhava papel central, não apenas na vida espiritual, mas também como autoridade intelectual e moral. Muitas práticas religiosas, rituais e festividades continuaram presentes no cotidiano, mesmo diante do avanço do Humanismo e do fortalecimento de correntes reformistas, como o protestantismo, que questionavam aspectos da doutrina e da organização eclesiástica.
As rupturas: novas visões de mundo
As rupturas vieram de várias frentes. No campo científico, a Revolução Científica — com nomes como Copérnico, Galileu e Kepler — desafiou explicações tradicionais sobre o cosmos, rompendo com a visão geocêntrica defendida por séculos. A observação empírica, a experimentação e a matemática ganharam espaço como formas legítimas e inovadoras de produzir conhecimento, abrindo caminho para a ciência moderna.
No campo econômico, o mercantilismo e a expansão marítima levaram ao contato com novas terras, povos e recursos. A chegada dos europeus às Américas inaugurou a noção concreta de um “novo mundo”, alterando as rotas comerciais e provocando intensas trocas culturais, biológicas e tecnológicas — processo conhecido como intercâmbio colombino. Esse contato também gerou novas questões morais e políticas, como a escravização de africanos e indígenas e os debates sobre a humanidade e os direitos desses povos.
Permanências e adaptações nas práticas sociais e culturais
Mesmo com as mudanças, as sociedades modernas conservaram e adaptaram tradições herdadas. As universidades, criadas na Idade Média, continuaram como centros de produção e difusão do saber, mas agora absorvendo novos métodos científicos e textos redescobertos da Antiguidade clássica. A arquitetura, por sua vez, ainda utilizava formas e técnicas tradicionais, mas o Renascimento introduziu novos conceitos de proporção, perspectiva e valorização do homem como medida do mundo.
Na vida cotidiana, práticas agrícolas, técnicas artesanais e formas de comércio local seguiam sendo transmitidas de geração em geração. Entretanto, o avanço da economia monetária e a ampliação do mercado global começaram a transformar essas atividades, integrando comunidades distantes a um sistema econômico mais amplo.
A ideia de “moderno” e o sentido de ruptura
A noção de que o mundo estava entrando em uma nova era foi sendo construída gradualmente, alimentada pelo espírito renascentista, pela confiança no progresso e pela crença de que o homem poderia compreender e transformar a realidade. A imprensa de Gutenberg, por exemplo, foi um marco que acelerou a circulação de ideias e ampliou o acesso a textos antes restritos a elites religiosas e políticas, contribuindo para a difusão de novas formas de pensar e questionar.
Contudo, essa “modernidade” não apagou completamente o passado. Ao contrário, o mundo moderno nasceu de um diálogo complexo entre permanências e rupturas. A redescoberta dos autores clássicos, as tradições religiosas e as estruturas políticas medievais coexistiram e interagiram com novas práticas científicas, econômicas e artísticas.
A emergência do mundo moderno foi, portanto, um processo de transição, em que o “novo” não substituiu de forma abrupta o “antigo”, mas se construiu sobre ele, reinterpretando e adaptando saberes, crenças e práticas. O “novo mundo” foi tanto geográfico quanto mental: descobriu-se não apenas outras terras e povos, mas também novas maneiras de compreender a realidade. A modernidade, assim, surgiu do entrelaçamento de heranças e inovações, de permanências e rupturas, formando o alicerce sobre o qual se ergueriam as sociedades contemporâneas.
EXERCÍCIO
1. Um professor afirmou:
“Entre os séculos XV e XVII, o mundo moderno surgiu como um diálogo entre o antigo e o novo.”
Com base no texto,
assinale o exemplo que melhor ilustra essa afirmação:
A) A abolição de todas as práticas
religiosas medievais.
B) O uso de universidades medievais para
difundir novos conhecimentos científicos.
C) A substituição das monarquias pelo
sistema republicano moderno.
D) O isolamento europeu frente às demais
culturas.
E) A adoção de práticas agrícolas exclusivamente industriais.
2. Durante a emergência do
mundo moderno, o contato entre europeus, africanos e indígenas foi
intensificado pela:
A) Expansão marítima e o intercâmbio
colombino.
B) Revolução Industrial e a urbanização
acelerada.
C) Criação da Liga das Nações.
D) Unificação da Itália e da Alemanha.
E) Reforma Protestante exclusivamente religiosa.
3. Ordene corretamente os acontecimentos conforme a sequência histórica:
- Expansão marítima europeia
- Revolução Científica
- Criação da imprensa de Gutenberg
- Renascimento cultural
A) 3 – 4 – 1 – 2
B) 4 – 3 – 1 – 2
C) 1 – 3 – 4 – 2
D) 3 – 1 – 4 – 2
E) 4 – 1 – 3 – 2
4. A Revolução Científica
rompeu com a visão ________, defendida por séculos, e introduziu métodos
baseados na ________ e na ________.
A) heliocêntrica – fé – tradição
B) geocêntrica – observação empírica –
experimentação
C) geocêntrica – superstição – alquimia
D) heliocêntrica – lógica aristotélica –
religião
E) geocêntrica – astrologia – misticismo
5. O Humanismo, o
Renascimento e a Reforma Protestante contribuíram para a emergência do mundo
moderno porque:
A) Fortaleceram o poder absoluto da Igreja
Católica.
B) Difundiram novas formas de pensar e
questionar, estimulando mudanças culturais e religiosas.
C) Substituíram completamente as tradições
herdadas do mundo medieval.
D) Criaram um sistema econômico
industrializado e globalizado já no século XV.
E) Mantiveram a Europa isolada de contatos
externos.
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